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		<title>Sócrates</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 16:42:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma noite de terça-feira para o mundo. Chovia excessivamente e o frio deixava os corpos às avessas, mas nada era capaz de acabar com a minha ansiedade. Saí da redação com o gravador pendurado no ombro, o microfone na mão trêmula e uma pauta dobrada no bolso, molhada pela chuva. Peguei o primeiro ônibus [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=1057&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Era uma noite de terça-feira para o mundo. Chovia excessivamente e o frio deixava os corpos às avessas, mas nada era capaz de acabar com a minha ansiedade. Saí da redação com o gravador pendurado no ombro, o microfone na mão trêmula e uma pauta dobrada no bolso, molhada pela chuva. Peguei o primeiro ônibus que passou, sentei na cadeira gelada e olhei ao meu redor. Não havia ninguém. Então, tirei as duas folhas sulfites da calça, desdobrei-as e li em letras itálicas: <em>Sócrates</em>. Naquela fatia de tempo entre a hora do jantar e a madrugada de quarta-feira eu iria encontrar com o Doutor, um dos maiores seres humanos da história do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">A entrevista havia sido marcada no fim de semana. Sócrates não gostava de atender telefonemas, talvez por considerar os olhos orgãos mais importantes que as cordas vocais. Tentei convencê-lo a falar conosco por duas semanas, mas sua teimosia reinou. Na última ligação, recebi a orientação final da sua esposa.</p>
<p style="text-align:justify;">- Venha até ele, e eles vos falará.</p>
<p style="text-align:justify;">Marcamos para a terça-feira, dia em que Sócrates participava do programa &#8220;Cartão Verde&#8221;, da TV Cultura, às oito da noite. O caminho até a emissora foi longo, como nunca havia sido antes. Da janela encharcada tentava me lembrar de alguma resposta não dada, alguma pergunta não feita, algum comentário despercebido, qualquer coisa que levasse ao Doutor um pedaço de ineditismo. Desci na Lapa e fui caminhando por uma rua escura até a sede do canal. Assinei meu nome no caderno de visitas e entrei na sala de espera. Revista, água, alguns passos pelo carpete de madeira e um leve diálogo com o segurança.</p>
<p style="text-align:justify;">- Você é da Bandeirantes?<br />
- Sim.<br />
- Vai entrevistar o Sócrates?<br />
- É. Finalmente ele resolveu me atender.<br />
- Ele é &#8220;gente fina&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquela expressão me fez lembrar do seu apelido da época de Botafogo de Ribeirão Preto, que era absurdamente repetido nas várias entrevistas que já tinha assistido com ele: &#8220;Magrão&#8221;. Aguardei quase uma hora na sala cercada de vidros até o mesmo segurança me avisar que ele já estava me esperando. Então, entrei por um longo corredor a céu aberto, passei em uma porta larga que desembocava num estacionamento, virei para uma porta menor, cruzei duas salas e saí num dormitório mal iluminado, com uma mesa lotada de doces e duas poltronas. Em uma delas estava Sócrates, sentado com os braços sobre os joelhos e olhando para mim com uma tranquilidade interiorana.</p>
<p style="text-align:justify;">- Então é você que quer falar comigo, garoto?</p>
<p style="text-align:justify;">Dei um sorriso leve, que expressou facialmente o nervosismo da primeira entrevista exclusiva e pessoal em dois anos de carreira jornalística. A fração de segundos entre o olhar e o agir fez com que uma das pessoas que estava na sala olhasse para mim com um tom irônico. Percebi que o encantamento era questão de tempo, tão precioso naqueles poucos minutos que tinha para fazer minhas perguntas ao Doutor. Pluguei o microfone ao gravador, tirei a pauta molhada do bolso, coloquei sobre o colo e comecei a entrevista.</p>
<p style="text-align:justify;">- Sócrates, recentemente um jogador de futebol do Rio Grande do Sul foi jogar em Belém, no Pará, e disse que a cidade fica no fim do mundo. O que você diria para ele?<br />
- Eu diria que sou do fim do mundo, ué. O que mais eu poderia falar?</p>
<p style="text-align:justify;">Foram exatos dezesseis minutos entre a frenesi do primeiro contato até o término de sua última resposta. Ao longo daqueles seus 57 anos, não haveria como contar quantas vezes já tinha respondido sobre a Democracia Corinthiana, movimento que liderou no início dos anos 80, sobre sua relação com a torcida alvinegra, a Seleção Brasileira de 1982, os companheiros, a dupla vida de médico e jogador de futebol, a bebida e a sua vida política. No entanto, não se esquivou de nenhuma das minhas questões. Respondeu-as como sempre: um olhar perdido em algum horizonte visível somente a ele, com palavras curtas e seguidas por uma conclusão que resumia toda a história.</p>
<p style="text-align:justify;">- Posso tirar uma foto com o senhor?<br />
- Claro. Só não me chame de senhor &#8211; respondeu, dando uma gargalhada áspera.</p>
<p style="text-align:justify;">Olhei na máquina fotográfica e vi que a fotografia estava lá, tão viva quanto aquele momento. Se pudesse, sentaria ali naquela poltrona e ficaria discutindo Cuba, relembrando gols, perguntando besteiras, falando de Corinthians, pedindo mais fotos e fatos. Acordei. Coloquei o gravador no ombro, prendi o microfone na barra da calça, joguei a pauta, que ainda resistia no bolso, no balde de lixo, e saí.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes de passar pela guarita da emissora e ganhar a rua, olhei para trás, apenas na expectativa de constatar sua existência.</p>
<p style="text-align:justify;">A entrevista foi ao ar na íntegra dois dias depois, no programa Fanáticos por Futebol, da Rádio Bandeirantes de São Paulo.</p>
<p style="text-align:justify;">Exatos um mês e dez dias depois da entrevista, recebi a notícia da sua morte, numa manhã ensolarada de domingo. Imediatamente lembrei daquele último frash de existência, dele sentado na poltrona com as mãos no joelho e me chamando de garoto, esperando pelas mesmas perguntas que ele já havia respondido em metade dos seus 57 intensos anos.</p>
<p style="text-align:justify;">A partir daquele momento, ele já não fazia parte do meu pensamento singular, mas do plural da imortalidade.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><a href="http://radiobandeirantes.com.br/conteudo.asp?ID=559316" target="_blank">Clique aqui</a> e ouça a entrevista de Sócrates</em></p>
<div id="attachment_1059" class="wp-caption alignleft" style="width: 509px"><a href="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/12/sc3b3crates.jpg"><img class=" wp-image-1059" title="Sócrates" src="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/12/sc3b3crates.jpg?w=499&#038;h=372" alt="Sócrates" width="499" height="372" /></a><p class="wp-caption-text">Sócrates</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/1057/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=1057&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vini Kiedis</media:title>
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		<title>Dois mil e onze</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 16:55:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Os contadores de histórias de Arimandía irão se fartar com seus filhos ao relembrar o intenso ano de dois mil e onze. Talvez seja ousadia afirmar isso, mas há tempos não se via as ruas tão vivas, os ventos tão praianos e o céu tão azul nesta terra perdida na América do Sul como nesses [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=1011&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Os contadores de histórias de Arimandía irão se fartar com seus filhos ao relembrar o intenso ano de dois mil e onze. Talvez seja ousadia afirmar isso, mas há tempos não se via as ruas tão vivas, os ventos tão praianos e o céu tão azul nesta terra perdida na América do Sul como nesses meses que completaram mais uma fatia de tempo da história da humanidade. Os cronistas jorram poesia, os músicos compõem como nunca e as instituições se reinventam como os ratos. É por isso que já se ecoa nas vielas arimandíanas um boato consistente: este é o momento perfeito para se viver as momentaneidades da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">No entanto, não foi assim o ano todo. Lá pelos idos de fevereiro a turbulência de Fermina Serrajos inaugurou a chuva em Arimandía. As nuvens se precipitaram por duas semanas seguidas, deixando o ar tão úmido que era possível ver os bichos do mar nadando acima dos telhados. Os ribeirinhos fugiram para as montanhas, os pescadores guardaram seus barcos e os videntes anunciaram um fim do mundo parecido ao de dois mil e nove, mas as águas tiveram piedade do povo arimandíano. Fermina Serrajos, perdida entre suas perdições, foi expulsa. Suas estátuas foram derrubadas, suas crônicas foram queimadas e o seu cheiro foi abolido das ladeiras, deixando sua existência apenas nas lembranças dos velhos conservadores.</p>
<p style="text-align:justify;">O sol surgiu em junho, com o advento de Renata Remédios. Sua existência resplandeceu como deja vú em Arimandía. Seu rosto perfeitamente moldado ao resto das coisas, o sorriso que forma um mundo paralelo e sua incrível simpatia de princesa latina pareciam ser conhecidos há muito tempo por estas terras. Desde que Renata Remédios foi proclamada primeira-dama arimandíana que o mundo mudou, assim como seu nome: é conhecida pelas crianças e idosos como Meme, assim como em <em>Cem Anos de Solidão</em>. As flores cresceram como jamais havia se visto, a felicidade atingiu níveis tão altos que contagiou os animais domésticos e até os objetos conquistaram a liberdade, com a permissão concedida para falarem e viverem. Nos cinco meses e seis dias que se seguem desde a sua chegada ao portão de entrada do território arimandíano, não houve registro de tempestades nem qualquer outro levante natural, e seu amor é tão supremo que já é encarado como eterno entre as províncias.</p>
<p style="text-align:justify;">Em dois mil e onze Arimandía conheceu pessoalmente o undernismo californiano. Os sons inexistentes do baixo de Flea e os falsetes desafinados de Anthony Kiedis invadiram os flancos dos castelos, acordaram os mortos velados antes da meia noite e retorceram todos os materiais mais fracos que o ferro. Os acordes foram tão estridentes nesta nação que até os homens da guarda real não resistiram às ondas sonoras e saíram pelos jardins suspensos fazendo movimentos com os braços e forçando um bico nos beiços. A natureza também não controlou seus ápices: as ondas invadiram a praia sete vezes durante uma música e outra, as árvores se soltaram de suas raízes e foram vistas rebolando nos arredores de Las Pasiones e a lua foi encoberta pelo sol por uma hora e trinta e dois minutos, tornando a noite em um dia ensolarado de sábado. Foi nessa época também que Renata Remédios tornou-se patrimônio poético de Arimandía.</p>
<p style="text-align:justify;">Os andes foram desbravados, a altitude de seus lagos foi contestada e os odores da revolução foram sentidos em Santa Cruz de La Sierra, metrópole boliviana. O hálito inquieto de Arimandía atingiu os meios sul-americanos, num progresso inédito da militância arimandíana. Apesar disso, poucas praias foram descobertas, nenhuma cidade interiorana foi conhecida e as cúpulas de governantes mochileiros não saíram de suas rotinas trabalhistas, de modo que o capítulo de viagens de dois mil e onze quase não foi utilizado pelos seus escribas.</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar das bonanças deste ano, Arimandía ainda não compreendeu a existência do dinheiro. As dívidas se acumulam nos celeiros, nas praças e nos escritórios paralelos. Os preços aumentaram, os gastos explodiram e o capitalismo entrou pelas frestras dos muros que separam Arimandía do mundo. Talvez a volta seja irreversível, mas a entrada do lucro por aqui é vista com bons olhos por nações abonadas que rodeiam as fronteiras arimandíanas.</p>
<p style="text-align:justify;">A escassez de dinheiro, porém, não atrapalha o amor que assopra em todos os fins de tarde em Arimandía. Assim que o sol se esconde nos andes que protegem os nossos prédios, Renata Remédios cumpre uma rotina peculiar: abre todas as janelas do casarão imperial e assobia &#8220;Under the Bridge&#8221; na cabeça de todos os leiteiros, pais de família, poetas e moradores das praças que se esmagam para vê-la no portão do palácio. Então, anuncia-se o começo do dia útil. As crianças vão para as escolas, os idosos lêem seus jornais, as mães preparam suas sestas e os homens plantam suas letras no campo.</p>
<p style="text-align:justify;">Juntos, Renata Remédios, Red Hot Chili Peppers, andes sul-americanos e a felicidade eterna da existência vão escrevendo o fim de mais um capítulo deste livro de vinte e um anos, e esperando um dois mil e doze tão completo quanto uma crônica de Gabriel García Marquez.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>DOIS MIL E ONZE EM VÍDEOS:</em></p>
<p style="text-align:justify;">Bolívia</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://omundodeumvisionario.wordpress.com/2011/11/24/dois-mil-e-onze/"><img src="http://img.youtube.com/vi/WztWW7qYW14/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">El Hado (In)Propício [TCC]</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://omundodeumvisionario.wordpress.com/2011/11/24/dois-mil-e-onze/"><img src="http://img.youtube.com/vi/EchNNSQqHZA/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Under the Bridge &#8211; Red Hot Chili Peppers Rock in Rio</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://omundodeumvisionario.wordpress.com/2011/11/24/dois-mil-e-onze/"><img src="http://img.youtube.com/vi/IQXPuM3ivOQ/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><em>DOIS MIL E ONZE EM IMAGENS:</em></em></p>
<p style="text-align:justify;"><a style="text-align:center;background-color:#f3f3f3;" href="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/um.jpg"><img class="size-full wp-image-1013" title="Santa Cruz de La Sierra, Bolívia" src="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/um.jpg?w=450&#038;h=600" alt="Praza 24 de Setiembre, Santa Cruz de La Sierra, Bolívia" width="450" height="600" /></a></p>
<div style="text-align:justify;">
<dl class="wp-caption alignleft">
<dd class="wp-caption-dd">Praza 24 de Setiembre, Santa Cruz de La Sierra, Bolívia</dd>
</dl>
<dl class="wp-caption alignleft">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/sete.jpg"><img class="size-full wp-image-1014" title="Bloom JC - Clube noturno em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia" src="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/sete.jpg?w=450&#038;h=337" alt="Bloom JC - Clube noturno em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia" width="450" height="337" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Vida noturna em Santa Cruz de La Sierra &#8211; com Fábio Simões e Bruno Tálamo</dd>
</dl>
<dl class="wp-caption alignleft">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/dois.jpg"><img class="size-full wp-image-1015" title="Encontro com o amigo Carlos Drummond de Andrade" src="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/dois.jpg?w=450&#038;h=600" alt="Encontro com o amigo Carlos Drummond de Andrade" width="450" height="600" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Rock in Rio 2011 &#8211; Red Hot Chili Peppers</dd>
</dl>
<dl class="wp-caption alignleft">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/cinco.jpg"><img class="size-full wp-image-1016" title="Encontro com o amigo Carlos Drummond de Andrade" src="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/cinco.jpg?w=450&#038;h=600" alt="Encontro com o amigo Carlos Drummond de Andrade" width="450" height="600" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Encontro com o amigo Carlos Drummond de Andrade</dd>
</dl>
<dl class="wp-caption alignleft">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/tres.jpg"><img class="size-full wp-image-1017" title="Renata Remédios e a incrível capacidade de ser tudo em tão pouco tempo" src="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/tres.jpg?w=450&#038;h=337" alt="Renata Remédios e a incrível capacidade de ser tudo em tão pouco tempo" width="450" height="337" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Renata Remédios e a incrível capacidade de ser tudo em tão pouco tempo</dd>
</dl>
<dl class="wp-caption alignleft">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/oito2.jpg"><img class="size-full wp-image-1023" title="Renata Remédios e a sua incrível capacidade de amar" src="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/oito2.jpg?w=450&#038;h=600" alt="Renata Remédios e a sua incrível capacidade de amar" width="450" height="600" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Renata Remédios e a incrível capacidade de reinventar o amor</dd>
</dl>
<dl class="wp-caption alignleft">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/nove.jpg"><img class="size-full wp-image-1024" title="Entrevista com Dr. Sócrates, um dos pensadores mais importantes de Arimandía" src="http://omundodeumvisionario.files.wordpress.com/2011/11/nove.jpg?w=450&#038;h=337" alt="Entrevista com Dr. Sócrates, um dos pensadores mais importantes de Arimandía" width="450" height="337" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Entrevista com Dr. Sócrates, um dos pensadores mais importantes de Arimandía</dd>
</dl>
<div style="text-align:justify;"> <em><br />
</em></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/1011/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=1011&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Encontro com o amigo Carlos Drummond de Andrade</media:title>
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			<media:title type="html">Encontro com o amigo Carlos Drummond de Andrade</media:title>
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			<media:title type="html">Renata Remédios e a incrível capacidade de ser tudo em tão pouco tempo</media:title>
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			<media:title type="html">Renata Remédios e a sua incrível capacidade de amar</media:title>
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			<media:title type="html">Entrevista com Dr. Sócrates, um dos pensadores mais importantes de Arimandía</media:title>
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		<title>Orfão de joelho</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 17:37:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Éramos três: eu e meus dois joelhos. Confesso que nunca me importei muito com eles. Éramos felizes e não sabíamos. Não contava muito com o esquerdo, por vários motivos. No futebol ele sempre me deixava sob as piadas dos adversários e as broncas dos companheiros de time. Na hora de dormir, era sempre o mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=1006&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Éramos três: eu e meus dois joelhos. Confesso que nunca me importei muito com eles. Éramos felizes e não sabíamos. Não contava muito com o esquerdo, por vários motivos. No futebol ele sempre me deixava sob as piadas dos adversários e as broncas dos companheiros de time. Na hora de dormir, era sempre o mais desajeitado e difícil de virar. Na vida, sempre me impediu de chutar as garrafas de plástico pedindo uma decolagem pelo caminho. A gente vivia em um clima tenso.</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre fui mais apegado ao meu joelho direito. Nas manhãs de sono era ele quem me ajudava a subir a escadinha do ônibus, que dava o impulso para a pequena corrida até a minha mesa de trabalho nos dias de atraso, que se consagrava nas mesmas peladas de futebol e até para me motivar a dar o primeiro passo rumo a  uma garota.</p>
<p style="text-align:justify;">Sinto saudades do meu joelho direito. De dobrá-lo com voracidade para dentro, num exercício comum nas minhas manhãs, de sair pela rua deserta no início da noite cobrando uma falta imaginária e colocar a bola que sequer existe no ângulo do gol de mentirinha. Sinto saudades das viagens que fizemos juntos, esticando as pernas nas poltronas de ônibus e observando, juntos, a paisagem que passava por entre nossa existência. Sinto saudades de sentar com as pernas cruzadas e, amparado por sua força histórica, dançar com a bunda no chão. Até hoje não encontrei um ser humano capaz de repetir esse movimento.</p>
<p style="text-align:justify;">Perdi sua presença debaixo dos braços do Cristo Redentor. Ele estava feliz na última vez que o vi. Nas fotos, aparece sorridente, sincero e aparentemente ansioso. No nosso último momento antes de perdê-lo, passou um filme na minha cabeça. Vê-lo daquele jeito fez o coração e os outros ossos arderem. O cadáver do meu joelho estava desfigurado, protegido pela capa preta que encaminha a alma para o céu, escondido debaixo da multidão que enlouquecia com o baixo de Flea.</p>
<p style="text-align:justify;">O esquerdo sorriu. Talvez pensou que pudesse assumir a titularidade, ajudar este velho homem a subir os mesmos ônibus, chutar as mesmas bolas imaginárias e dar os necessários impulsos amorosos, mas falta-lhe capacidade. Até mesmo depois da morte do meu joelho direito, apenas o que restou de minha perna continua executando o serviço.</p>
<p style="text-align:justify;">O joelho, em sua essência, deve estar no mesmo lugar <a href="http://www.marioprataonline.com.br/obra/cronicas/viagem_ao_redor_de_um_joel.htm" target="_blank">onde repousa humildemente a rótula direita de Mário Prata, em algum bairro suburbano de Montevideo.</a> Uma morte uruguaia seria mais digna para ele, tão apaixonado pela mulher América. Mas quis o destino que o seu enterro fosse em um bairro afastado do Rio de Janeiro. Voltei para São Paulo orfão. Pensei em abrir uma instituição para pessoas que também perderam seus joelhos, repensei no Ronaldo como garoto-propaganda, mas esbarrei na tristeza para recomeçar e em um estranho dizer aos meus ouvidos dizendo que ele ainda vai voltar.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto isso não acontece, eu não existo. Nem eu nem meus joelhos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/1006/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=1006&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vini Kiedis</media:title>
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		<title>O som de uma vida inteira</title>
		<link>http://omundodeumvisionario.wordpress.com/2011/09/27/o-som-de-uma-vida-inteira/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 21:29:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Daquela primeira nota de Can&#8217;t Stop em uma tarde nublada de Peruíbe até o último acorde de Give It Away, na última madrugada do Rock in Rio, se passaram nove anos e alguns dias da minha vida. Foram tempos distintos, entre as estradas de Santos e as ladeiras colegiais, o toca-fitas do carro e o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=996&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Daquela primeira nota de <em>Can&#8217;t Stop</em> em uma tarde nublada de Peruíbe até o último acorde de <em>Give It Away</em>, na última madrugada do Rock in Rio, se passaram nove anos e alguns dias da minha vida. Foram tempos distintos, entre as estradas de Santos e as ladeiras colegiais, o toca-fitas do carro e o primeiro albúm comprado irregularmente por aí, além dos amores necessários para qualquer vida que se preze.  Os períodos não se cessaram, mas em todos eles eu estive debaixo da sombra dos acordes inevitáveis do Red Hot Chili Peppers.</p>
<p style="text-align:justify;">No começo, não havia uma noite sem a graça de <em>Scar Tissue</em>. A primeira música do primeiro walk-man, herança de meu pai, foi uma <em>Californication</em> surrada de uma fita cassete gravada às pressas. Descia a serra com a companhia das malas, dos postes que iam ficando para trás e de Anthony Kiedis berrando a Califórnia que existia em algum lugar do mundo. O primeiro Mi Maior do baixo de Flea em <em>Otherside</em> abria caminho para uma estrada que eu não havia trilhado até ali, nos meus distantes doze anos de vida, onde eu ainda não havia tido a oportunidade de fazer escolhas, mas já sabia responder sobre minha banda preferida.</p>
<p style="text-align:justify;">Não demorou para eu adotar o asterisco em meus rabiscos. A porta do meu quarto tinha um anúncio gigante da presença deles ali, os cadernos da escola eram quase sempre repletos de letras, cifras e, claro, o asterisco vermelho enorme na capa dura e manchada de dedos. Quando o advento da internet bateu nos limites da minha casa, me aprofundei. Ouvi álbuns, descobri discos, conheci histórias, desfrutei pensamentos, e aquele símbolo passou a fazer ainda mais parte de tudo o que era bom na vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Então veio o amor, ao som de <em>Zephyr Song</em>. Bastava ouvir os acordes graves de John Frusciante nessa música para voar até os cabelos loiros daquela garota de olhos verdes da época de escola. Ela se foi no tempo, mas o solo final da canção permanece até hoje nos meus ouvidos. Corria pelo apartamento encarpetado quando, em algum lugar do mundo, alguém tirava um <em>By The Way</em> do esconderijo. Parecia que Chad Smith estava ali, do meu lado, tocando exclusivamente para aquela criança aprendiz de rock ouvir.</p>
<p style="text-align:justify;">A vida tomou sentido mesmo depois de <em>Under the Bridge</em>. Não lembro a primeira vez que tive a dádiva de descer pelas pontes de Los Angeles e sentir cada acorde penetrar a alma, mas desenvolvi um modo de vida onde não poderia passar um dia sem perceber a maravilha que eram aqueles últimos riffs, parecendo um anúncio do futuro. Do Lá Maior para o Dó Maior, já no ômega da música, havia um mistério irrelevante, mas completamente vivo. Há uma vida dentro daquele conjunto de acordes.</p>
<p style="text-align:justify;">Com o primeiro salário, comprei Live At Slane Castle. No princípio, chegava a assistir duas vezes por dia, repetindo músicas exaustivamente, numa espécie de continuação da mesma coisa. Sabia até os movimentos de Anthony Kiedis em <em>Around The World</em>, as falas de Flea logo depois de <em>Don&#8217;t Forget Me</em>, as caretas de John Frusciante no solo de<em> Throw Away on Television</em>, o ritmo das baquetas de Chad em <em>Parallel Universe</em>. Com as vassouras da minha mãe, amarrava um barbante em cada ponta, e me sentia um Pepper por alguns minutos. Devorava blogs, fóruns, sites de fã-clubes e, num inevitável momento de adolescente, desejei ser um californiano.</p>
<p style="text-align:justify;">Já perdi as contas de quantas vezes quis tatuar a tribal indígena que Kiedis tem nas costas, ou o velho asterisco preto de Flea no pulso. Na escola, as discussões musicais se perdiam nos meus conceitos redhotmaníacos. Era <em>My Friends</em> no céu e os outros conjuntinhos na Terra. Nas rodinhas de verão, não curtia o sol das praias enquanto o possuidor do violão não mandasse as iniciais de <em>Road Trippin&#8217;</em> e, num excesso de loucura, desenhei perfeitamente o clipe de <em>Soul To Squeeze</em> dentro de mim, pulando de um prédio para se livrar de uma bolha que até hoje não sei o que realmente significa.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse meio tempo, entre a primeira nota de <em>Can&#8217;t Stop</em> lá no longínquo sofá de minha avó paterna, ao lado da minha prima, hoje mãe de família, e o último acorde de <em>Give It Away</em>, num Rio de Janeiro extasiado, eu resolvi crescer um pouco também. Chorei em noites mal dormidas com <em>Wet Sand, We Believe</em> e <em>Hey</em>, inventei danças com <em>Higuer Ground, Suck My Kiss, Charlie, Warped</em> e <em>Me and My Friends</em>, usei letras de <em>I Could Die For You</em> e <em>Dani California</em> para conquistar paixões e surtei quando aprendi a tocar a mesma <em>Under the Bridge</em> no violão.</p>
<p style="text-align:justify;">Existem tantas outras músicas, meu Deus! <em>Blood Sugar Sex Magic</em> nas noites repletas de mulheres, <em>One Hot Minute</em> nos bares da vida, <em>Tearjerker</em> nas viagens onde pular estados era obrigação, <em>Breaking the Girl</em> nas indiretas cotidianas e ela, a rainha das canções de rock, a precisão inesquecível da guitarra, o nirvana das cordas do baixo com as batidas da bateria no solo estridente de <em>Soul To Squeeze</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Daquela primeira nota de <em>Can&#8217;t Stop</em>, em uma tarde nublada de Peruíbe até o último acorde de <em>Give It Away</em>, eu estive deitado nos braços de qualquer coisa que se chamasse Red Hot Chili Peppers. Dormindo nos acordes, nos falsetes, nas batucadas, nos riffs, nos dedilhados, e acordei na uma hora e quarenta e três minutos de realidade do show de sábado, no Rio de Janeiro. Talvez seja tempo suficiente para contar a história de uma vida inteira.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://omundodeumvisionario.wordpress.com/2011/09/27/o-som-de-uma-vida-inteira/"><img src="http://img.youtube.com/vi/4zzELpt5k90/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/996/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=996&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>23 de agosto de 2035</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 17:10:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Eduardo Vasconcelos Rua Augusta, s/ nº, São Paulo/SP Logo que o dia nasce – quente, cada vez mais – um entregador da Fedex toca a campainha. A cortesia vem de Santiago. É um novo aparelho que eu ainda não aprendi a pronunciar o nome e que contém o mais novo livro (não no sentido físico, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=985&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<pre><em><span class="Apple-style-span" style="font-family:Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;font-size:13px;line-height:19px;white-space:normal;">Eduardo Vasconcelos</span></em>

<span class="Apple-style-span" style="font-family:Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;font-size:13px;line-height:19px;white-space:normal;">Rua Augusta, s/ nº, São Paulo/SP</span></pre>
<p style="text-align:justify;">Logo que o dia nasce – quente, cada vez mais – um entregador da <em>Fedex</em> toca a campainha. A cortesia vem de Santiago. É um novo aparelho que eu ainda não aprendi a pronunciar o nome e que contém o mais novo livro (não no sentido físico, mas se conservou como expressão) do jornalista Vinícius Mendes, meu velho amigo. Hoje é aniversário dele, mas sou eu quem recebe o presente “pelas inúmeras contribuições feitas à Previdência Social de Arimandía durante a ‘formação’ de seu Estado”. Menos poético, mas ainda em outro mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Cinco minutos depois, o telefone toca. É uma ligação de La Paz. “Vou entrar no ar agora. Não perca!” Ele diz isso antes mesmo de eu lhe dar os parabéns. O correspondente internacional na América do Sul locomove-se de uma cidade a outra por semana. A entrada ao vivo era para cobrir a posse do novo governo boliviano, que ele veladamente apoiou em suas reportagens. Atualmente, está no seu 12º emprego. Sempre em grandes redações.</p>
<p style="text-align:justify;">Cerca de dez minutos após sair do ar, me liga de volta, falando como um estagiário que fez a sua primeira entrevista jornalística. “Nossa! Que foda esse momento! Caramba! É inacreditável!”, comemora o “estagiário” com quase 30 anos de profissão. “E você, tudo bem? Tenho um amigo aqui, combinamos de sair com umas bolivianas”, me diz antes de desligar o celular, que é do câmera.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim como eu, não casou. Ficou em dúvida por qual mulher amava, então se decidiu pela América, “a verdadeira Isabela”. Desde o fim do romance com a primeira Isabela, quem ele não vê mais desde 2018, quando foi cobrir a Copa do Mundo, na Rússia, amou muitas mulheres. A maioria, aliás, por um ou dois meses.</p>
<p style="text-align:justify;">É pai de um garoto que tem a idade de quando nos conhecemos. A relação entre eles, porém, é distante. O menino vive falando em sociedade igualitária, enquanto ele, que criticava o pai capitalista, investiu na Bolsa de Valores e publicou artigos criticando a postura do Brasil ao ajudar os Estados Unidos a se livrarem da décima crise financeira do século XXI. “Esses aí tem que comer na nossa mão!”, era o título de um de seus textos.</p>
<p style="text-align:justify;">O livro que me enviou se chama “Diário de um undernista – reportagens de um coração arranhado”. É uma ficção baseada em fatos reais. Conta a história de um jovem repórter que, quando não sentia o êxtase da vida jornalística, se enamorava de paixões repentinas. Porém, até hoje estou esperando que termine “Arimandía, uma terra no coração dos homens”, prometido desde o longínquo terceiro título da Libertadores da América conquistado pelo Sport Club Corinthians Paulista, em 2019. Acho que estamos quites: na ocasião, ele prometeu o livro, e eu, que iria casar.</p>
<p style="text-align:justify;">Não só de Isabela, a original, mas de todos os amigos da juventude não temos mais notícias. Conforme os anos passaram, os vínculos diminuíram. As novas gerações quase não sabem o que significa criar vínculos. Como diria um de nossos mais admiráveis professores de jornalismo, o consumismo venceu.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais tarde, depois da prazerosa leitura dos primeiros capítulos do “Diário de um undernista”, abro o meu e-mail. Ao passar da idade, a vida nos surpreende cada vez menos. Em meio a mensagens de lojas ofertando produtos, só há um nome reconhecível na caixa de entrada. “Blzzz???”, é o assunto do e-mail. “Vou passar o fds no Brasil. Vamos fazer alguma coisa??? Abraço!”. Assinatura: Vinícius Mendes, poeta.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem mais poderia ser?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/985/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=985&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Experiência entre extremos</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Aug 2011 18:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Rafaella Facio Permitam que o meu lápis deslize sobre esta folha, e eu lhes contarei uma história – ou divagarei sobre o autor dela.  É sobre alguém que convive com as leis dos homens que governam as pessoas, que por sua vez, são governadas pelas leis da física. Sobre um poeta, mais conhecido como fragmento-de-carbono-com-polegares-opositores. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=943&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Rafaella Facio</em></p>
<p style="text-align:justify;">Permitam que o meu lápis deslize sobre esta folha, e eu lhes contarei uma história – ou divagarei sobre o autor dela.  É sobre alguém que convive com as leis dos homens que governam as pessoas, que por sua vez, são governadas pelas leis da física. Sobre um poeta, mais conhecido como fragmento-de-carbono-com-polegares-opositores.</p>
<p style="text-align:justify;">Permitam que vossos olhos percebam, neste tal, os sacrifícios diários que ele faz para curar a si mesmo e aos que o cercam. Rituais de gente fina, gente boa. Mas que não lhes escape o detalhe de que, apesar de estar eventualmente deprimido no mau, ele jamais se exaltaria no bem.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas quando estiverem testemunhando as ofertas de Vinicius Mendes, não deixem de perceber suas exigências, suas condições. Ele recusaria adaptar-se à vida se Gabriel García Márquez não tivesse escrito o “realismo fantástico”; se os dedos de Flea não embalassem o funk; se a utopia não tivesse suspirado em Sierra Maestra; se o Corinthians não fosse o “Timão” e se – por último, mas não menos importante – as baratas bolivianas não contassem com trinta e duas pernas.</p>
<p style="text-align:justify;">Sabe que nada é certo ou errado por natureza. Não vai tomar como bem supremo qualquer honraria, prazeres, inteligência ou até mesmo a felicidade. Vai viver intensamente o primeiro acaso que conquistar sua atenção. E abrirá mão até mesmo de si para cumprir com seus caprichos cotidianos e para extrair a mais profunda percepção de cada experiência.</p>
<p style="text-align:justify;">E ainda que os continentes se reunissem em Pangeia para extinguir o Oceano Atlântico; que Pitágoras não tivesse descoberto as notas musicais da escala ocidental e que os humanos não tivessem inventado o amor, e continuassem se unindo por necessidade de reprodução da espécie, Vinícius Mendes continuaria sendo&#8230; Um fragmento-de-carbono-com-polegares-opositores, mais conhecido como poeta.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/943/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=943&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vini Kiedis</media:title>
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		<title>O fascinante lugar em que todas as mulheres chamam-se Isabela</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 17:55:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Marcelo Martins Vinícius Mendes vive em dois mundos. O primeiro é este nosso mesmo. Um mundo que, convenhamos, não facilita a vida dos visionários e poetas. Pelo contrário. O noticiário cheio de guerras, mazelas e injustiças é um constante desafio para quem quer enxergar algo de belo no mundo. Construir sonetos, mesmo pobres, é um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=939&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Marcelo Martins</em></p>
<p style="text-align:justify;">Vinícius Mendes vive em dois mundos. O primeiro é este nosso mesmo. Um mundo que, convenhamos, não facilita a vida dos visionários e poetas. Pelo contrário. O noticiário cheio de guerras, mazelas e injustiças é um constante desafio para quem quer enxergar algo de belo no mundo. Construir sonetos, mesmo pobres, é um tremendo desafio. É preciso escavar as palavras e depois, feito um estivador, erguer uma rima. É  por isso que Vini, como os amigos o chamam, descobriu um novo mundo. Chama-se Arimandía.</p>
<p style="text-align:justify;">Ninguém sabe direito o tamanho deste mundo. Há quem diga que é do tamanho de dois continentes, outros relatos dão conta que ele é uma ilha menor que Cuba. Na verdade, este é um detalhe desimportante. O lugar é tão fascinante e extraordinário que ninguém teve nem tempo de fazer mapa. E nem adiantaria. A fronteira, brincalhona não respeita os tratados internacionais. É muito difícil estudar geografia em Arimandía.</p>
<p style="text-align:justify;">Se os geográfos não tem vida fácil, o mesmo não pode ser dito dos cronistas. Todo mundo é cronista. E poeta. Na praça central, uma estátua de Gabriel Garcia Marquez em tamanho natural observa e enfeitiça os seus moradores. É bom que se diga que os pássaros em Arimandía não se atrevem a fazer as suas necessidades na bela construção de bronze. Eles nem cagam, pra dizer a verdade. Apenas cantam. O repertório das aves vai de Tom Jobim a <em>Red Hot Chili Peppers</em>. É famosa a espécie de canário, da família dos <em>Undernistas</em>, que é especializado em cantar <em>Under the Bridge</em>. Espetáculo deslumbrante.</p>
<p style="text-align:justify;">Voltando aos cronistas e poetas. Em Arimandía o que move a economia é a poesia. Pode parecer meio maluco, mas deixa eu explicar. Neste mundo não existe dinheiro. Todas as transações comerciais são feitas com poemas e crônicas. Exemplo: uma bala custa um funk carioca, daqueles bem podreira mesmo. Rima pobre e sem valor. Uma mansão pode variar entre 500 poesias drummondianas a 1000 linhas à moda de <em>Cem Anos de Solidão</em>. É preciso muito tempo para juntar tanta bagagem literária. Trabalho de uma vida inteira. A balança comercial também move-se com poemas que é, como não poderia deixar de ser, o principal item de importação e exportação dos arimandíanos.</p>
<p style="text-align:justify;">Com tamanha dedicação às rimas, como fica a política? Ela existe? Claro que sim! E o presidente foi eleito por aclamação popular. Seu nome: Ernesto Che Guevara. Sim, o próprio. Você acha que ele morreu, né? Está vivo e mais saudável que muitos dos seus compatriotas ideológicos do nosso mundo&#8230; Um dia ele foi encontrado semeando a revolução por Arimandía. Foi então convidado &#8211; melhor dizendo, intimado -, a cuidar das questões políticas. Che relutou um pouco. Achava que era muita responsabilidade, mas, para felicidade geral da nação, ele topou. O único problema é que, de vez em quando, ele simplesmente desaparece sem dar explicação. E nem precisa. Todo mundo sabe que ele está buscando, incansável, a revolução além da fronteira. O bacana é que Che Guevara sempre volta&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Agora, com licença, preciso falar do aspecto que mais me encanta nesta terra: as mulheres. Primeiro, elas são a maioria da população. Para cada cueca fedorenta, são umas dez damas. São tão lindas que fazem as mulheres do sul do Brasil parecerem feias. São poetisas e musas ao mesmo tempo. Os homens, coitados, perdem-se nesse paraíso: não sabem direito para quem fizeram determinado poema, que acaba virando um poema universal. Em Arimandía, quando um romance acaba todo mundo sabe. As lágrimas viram poesia. Curiosidade: todas as mulheres chamam-se Isabela, mesmo aquelas que, na maternidade, ganharam outros nomes. Não importa. A lei de Arimandía é implacável e chama todas de Isabela.</p>
<p style="text-align:justify;">Ninguém vai se incomodar com uma bobagem dessas, certo?</p>
<p style="text-align:justify;">Eu poderia falar muito mais de Arimandía. Mas eu prefiro encerrar por aqui. As linhas acima, coitadas, não conseguem dar conta de tudo que existe nesse mundo. São frágeis e, temo dizer, mentirosas. Para muitos podem parecer exageradas, mas são precárias em tentar descrever o paraíso. Não conseguem. Nessa altura do texto, o amável leitor deve estar querendo saber onde fica Arimandía, né? Sinto informar, mas não existe voos regulares para lá. As agências de turismo não vendem pacotes. Aos mortais, como eu e você, leitor, só resta espiar por uma pequena fresta deste mundo: o <a href="www.omundodeumvisionario.wordpress.com" target="_blank">Mundo de um Visionário</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/939/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=939&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Vini Kiedis</media:title>
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		<title>Lusa, Scarlett Johansson e Bolívia</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 19:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Júlio Cezar Pacheco A arte de se apegar nas coisas mais minúsculas do mundo. Se existe alguém que pratica, treina e coloca isso em prática, este é Vinícius Mendes. Não entenda isso como um defeito (pode até ser algumas vezes, mas com esse texto, pretendo provar o contrário. Logo que o conheci, no início de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=971&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Júlio Cezar Pacheco</em></p>
<p style="text-align:justify;">A arte de se apegar nas coisas mais minúsculas do mundo. Se existe alguém que pratica, treina e coloca isso em prática, este é Vinícius Mendes. Não entenda isso como um defeito (pode até ser algumas vezes, mas com esse texto, pretendo provar o contrário.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo que o conheci, no início de 2011, tive a primeira demonstração desta mania de ver o pequeno lado das coisas. Ele tinha acabado de entrar na Rádio Bandeirantes e perguntei o que ele fazia antes: “trabalhava no <em>LANCE!</em> cobrindo muito a Lusinha”. Pô, um cara que cobre e realmente gosta da Lusa? Isso é raridade.</p>
<p style="text-align:justify;">A segunda demonstração de mini-apego foi no casamento Real, entre William e Kate. A noiva era simplesmente a mulher mais linda do mundo no momento, o ser de saia mais desejado no planeta e o infeliz fala que “via umas três Kates todos os dias no metrô”. Juro que isso foi motivo de discussão durante semanas na redação, e continua sendo. Ele vive usando esse discurso, inclusive, sempre que falo de alguma atriz maravilhosa. “Scarlett Johansson? Encontro umas cinco só na Estação Sé”. Fala sério.</p>
<p style="text-align:justify;">As demonstrações continuaram aparecendo, como quando ele falou que ele tinha um colar que dava extrema sorte para ele, que ele tinha conseguido coisas incríveis em Florianópolis. Ele só fugiu do padrão quando decidiu que seu TCC seria filmado na maior potência econômica mundial: a Bolívia. Se quiser entender melhor isso que estou falando, basta verificar o seu Twitter. Tomei liberdade para listar algumas das maiores pérolas de Vinicius Mendes, o @donviini:</p>
<address><em>- “Eu sempre achei que o Chapolim falava: &#8220;Não contavam com as minhas túcias&#8221;.</em></address>
<address><em>- “Meu sonho é ser um VJ da Mix TV. Mentira. Meu sonho é voar”. </em></address>
<address><em>- “O mundo seria melhor se tudo tivesse um w no final”. </em></address>
<address><em>- “Eu queria fazer um vídeo mostrando as mulheres bonitas da Bolívia. Ninguém acredita quando eu conto das perfeições que vi naquele país”. </em></address>
<address><em>- “Quando eu crescer eu quero ser um sheik árabe e comprar um clube de futebol”. </em></address>
<address><em>- “Só quem andou uma noite inteira com o carro sem freio sabe o que estou falando”.</em></address>
<address><em>- Palavra do dia: joanete.” </em></address>
<address><em>- “Agora eu tenho um novo costume: tomar</em> todos os dias o açaí que a tia gorda vende na porta da estação de trem.”</address>
<p style="text-align:justify;">Enquanto fui olhando o Twitter dele, encontrava uma melhor que a outra, vale a pena continuar, se tiverem tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse é o Vinicius Mendes, um cara que se apega em coisas pequenas. Mas no início do texto disse que isso não era, necessariamente, um defeito. Explico assim: Vinícius tenta busca sua felicidade em qualquer coisa. Pode nunca estar satisfeito, mas nunca desiste de procurar essa felicidade. Seja em um comentário bobo ou viajando para a incrível potência boliviana.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando procurava as frases dele, encontrei uma que define ele muito bem. “No meu mundo não existe a palavra fim”.</p>
<p style="text-align:justify;">Parabéns Vinícius, muitas felicidades. E continue procurando suas Scarletts no metrô, suas Miss Bolívia e um craque na Portuguesa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/971/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=971&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um olhar desconhecido</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 03:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Ana Arakaki Fazia frio naquela noite de quarta-feira, mais uma como qualquer outra qualquer. A simpatia de um desconhecido me surpreendeu no meio do meu expediente de trabalho. Era Vinícius Mendes. Surgiu na minha frente falando e gesticulando com uma audácia designada apenas aos seres humanos especiais. Ele voltava da Bolívia, em uma viagem que lhe [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=954&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Ana Arakaki</em></p>
<p style="text-align:justify;">Fazia frio naquela noite de quarta-feira, mais uma como qualquer outra qualquer. A simpatia de um desconhecido me surpreendeu no meio do meu expediente de trabalho. Era Vinícius Mendes. Surgiu na minha frente falando e gesticulando com uma audácia designada apenas aos seres humanos especiais.</p>
<p>Ele voltava da Bolívia, em uma viagem que lhe dominava em forma de aventura. Não demorou para sentarmos ali, no meio do terminal de ônibus de Campo Grande, e conversarmos sobre tudo o que há neste mundo. De longe eu o vi como uma pessoa que estava procurando viver ou até mesmo um pouco de paz.</p>
<p style="text-align:justify;">Demonstrava um pouco de seu estilo com um chapéu social e a despreocupação com a moda com sua roupa que parecia ter  sido tecida por ele mesmo. Seus olhos transmitiam calma e conforto e seu jeito de andar me pareceu um tanto quanto relaxado.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas aquele olhar me comoveu. Seus verdes olhos penetravam-me com ternura. Seu sorriso como uma lâmpada iluminava meu interior e eu como um espelho refletia com mais intensidade. Parecia-me distante, mas logo quando senti que ele analisava algo naquele contato momentâneo já era a hora dele ir embora. E tão fria como a noite foi a sua despedida.</p>
<p style="text-align:justify;">Para minha surpresa e alegria, ele ainda tentou se comunicar através de um vidro. Educado, pediu-me permissão para conversar mais um pouc0. Naquele momento o vi diferente, decidido, com as ideias claras de tudo o que queria, e quando ao fim estava me acostumando com seu amor despejado tão facilmente, ele subiu as escadas da saudade e acenou com as mãos do possível retorno um dia da janela do ônibus, não antes de me jogar um beijo.</p>
<p style="text-align:justify;">Desde então a saudade não saiu mais de mim.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/omundodeumvisionario.wordpress.com/954/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=954&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Guardem Vinícius Mendes!</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 01:06:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinícius Mendes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vinícius Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Felipe Jesus Prendam Vinícius Mendes. Depois o coloquem dentro de um vidro com formol, para que todas as gerações conheçam a rara espécie de ser humano que ainda pisa por aqui. Esse é o primeiro passo para que possa se entender a canção californiana que sai dos seus dedos entre os ausentes trausentes que lhe [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omundodeumvisionario.wordpress.com&amp;blog=4923102&amp;post=959&amp;subd=omundodeumvisionario&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Felipe Jesus</em></p>
<p style="text-align:justify;">Prendam Vinícius Mendes. Depois o coloquem dentro de um vidro com formol, para que todas as gerações conheçam a rara espécie de ser humano que ainda pisa por aqui. Esse é o primeiro passo para que possa se entender a canção californiana que sai dos seus dedos entre os ausentes trausentes que lhe rodeiam nessa efeméride das ruas.</p>
<p style="text-align:justify;">Sua maior virtude é a simpatia. Não há uma classe social que não seja beneficiada com um bom dia, um sorriso aberto ou um comentário inoportuno com o objeto claro de alegrar a chuva diária de cada um. Não há diferença entre o terno e o macacão azul, entre a vassoura e a maleta, entre o cobrador de ônibus e o dono da empresa. O ser humano é acima de tudo sua maior paixão.</p>
<p style="text-align:justify;">Porém, no centro de Arimandía o que vemos com a clareza dos campos são as mulheres. Talvez seja o maior espanto que Vinícius Mendes ainda nos causa. Já se vão nove meses e algumas cacetadas que eu me mantenho com a mesma moça lá dos andos da zona leste, enquanto ele se divide entre os cabelos, olhos e bocas das meninas de todas as outras zonas. É um mulherengo, na concepção mais exata, e pior quando usa o usual chapéu preto. Esquece o nome, vira don. Confesso que tenho até inveja. Uma hora é a moça do cabelos curtos do carnaval passado, na segunda hora é a eterna interiorana orgulhosa que não cansa de atormentar-lhe com suas esquisitices, na terceira hora é a mulata que brota em um segundo quando ele resolve ter algúem pra sair. E passam-se as horas, e passam-se as mulheres. E não passa a minha falta de entendimento.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez uma história justifique a questão. Uma certa noite, tomando cerveja num bar, ele me contava extasiado sobre mais uma crônica amorosa do dia anterior, quando lhe perguntei das dívidas, do emprego, do carro quebrado, das brigas com o pai, da faculdade, da obrigação de todo menino de 20 anos que busca seu lugar ao sol. Categórico, ele lançou seus olhos cor-de-mel em minha direção:</p>
<p style="text-align:justify;">- O importante é o amor, a paixão, o sentimento, a mulher. Foda-se o resto.</p>
<p style="text-align:justify;">Desconcertei da vida, e nunca mais lhe perguntei sobre isso. Na verdade nem precisei mais. Aquele &#8220;foda-se o resto&#8221; me fez entender o desconcerto que uma mulher (ou várias) faz na vida dele. A sustância da sua atenção assusta, apaixona, é mal interpretada por quem acredita que aquilo é o seu máximo de amor. Não, é apenas um pouco do que ele pode oferecer a qualquer criatura de cabelos longos.  O envolvimento em si é um entorpecente que ele tira e põe como se fosse uma roupa.</p>
<p style="text-align:justify;">E quando penso que já o conheço como nunca, ele me surpreende como sempre. Brota no meu portão de madrugada só para contar mais uma história impressionante entre tantas histórias impressionantes que ele tem para contar, começa a gritar na rua com a mesma delicadeza com a qual tirou a roupa no meio da praia em um reveillon e saiu andando entre as pessoas, e ainda olha para nós, mortos de vergonha de tudo aquilo, como se nada tivesse acontecido.</p>
<p style="text-align:justify;">É capaz de conversar com qualquer um. Já o tirei do meio dos usuários de crack, na Rua dos Gusmões, onde ele batia um papo tranquilo. Já o tirei do meio dos rockeiros da Augusta, com quem insistia que Red Hot Chili Peppers é melhor do que qualquer outra banda de metal. Já o tirei do meio dos mendigos da Praça da Sé, com quem queria dividir um salgado que havia comprado minutos antes. Já o tirei do meio da Avenida Paulista, sozinho, com o carro batido e o coração amassado. Mas me orgulho dos vários dias que o tirei de casa para recriarmos os vários momentos de companheiro que passamos por estas ruas e praias.</p>
<p style="text-align:justify;">E é assim, entre as mulheres, as histórias e as músicas de Red Hot Chili Peppers, que Vinícius Mendes deve ser guardado. Para que as futuras gerações saibam que ainda existe um ser humano como tal.</p>
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