Zé Maria, um ídolo que a fiel torcida não esquece

      ”O texto abaixo foi escrito para o site da Federação Paulista de Futebol. Entrevistei Zé Maria na Sede da FPF no dia 03 de dezembro. Na ocasião, ele foi divulgar o projeto esportivo que dirige na Fundação CASA (antiga FEBEM). Conversamos sobre sua carreira, o projeto com os meninos infratores e o atual time corintiano”

          Humilde, batalhador e guerreiro, bem ao estilo corintiano. Este era o jogador José Maria Rodrigues Alves, ou simplesmente Zé Maria. Lateral-direito de força física, habilidade e vigor, se destacou na Portuguesa no fim da década de 60, o que lhe rendeu a convocação para a Copa do Mundo de 1970 e a contratação pelo Corinthians, no final daquele mesmo ano. Em 13 anos no Parque São Jorge, vestiu a camisa do clube 595 vezes, sendo o quarto jogador que mais atuou pelo time na história. “Graças a Deus sou um ídolo do Corinthians. É um time sensacional, que sempre me motivou bastante a jogar. Quando era criança, lá em Botucatu, já era um corintiano apaixonado e jogar pelo meu time do coração foi a realização de um sonho”, afirma o “Super-Zé”, como ficou conhecido.

            Atualmente, como supervisor do projeto esportivo da Fundação Casa, antiga Febem, Zé Maria afirma que o brilho do esporte é sensacional, em qualquer setor da sociedade. “E lá na Fundação Casa não é diferente. Notamos uma mudança significativa no comportamento dos meninos, e é esse o nosso objetivo.”

Zé Maria e Biro-Biro no título paulista de 1983

Zé Maria e Biro-Biro no título paulista de 1982

          Entre tantas partidas pelo Corinthians, uma é especial para o ex-jogador profissional. “Foram tantos jogos especiais, decisivos, marcantes para qualquer jogador. Mas acho que a mais marcante na minha carreira e até na minha vida foi a final do Campeonato Paulista de 1977, contra a Ponte Preta, no Morumbi. Os três jogos foram maravilhosos, os estádios lotados, mas a partida decisiva foi impressionante. Nunca vi o Morumbi como daquele jeito”, diz Zé Maria, que foi quem deu início à jogada do gol de Basílio, que deu o título estadual para o time depois de 23 anos sem conquistar nenhum campeonato.

            “Meus pais trabalhavam na roça e quando vim jogar bola na capital trouxe toda a minha família para cá. Sou o grande responsável pelos meus familiares estarem em São Paulo agora”, afirma. Com um excelente desempenho na Portuguesa, clube no qual chegou em 1968, Zé Maria foi convocado para a Copa do Mundo de 1970, onde foi tricampeão mundial com a Seleção na reserva do capitão Carlos Alberto Torres – outro título marcante de sua carreira. “Aquela Seleção foi a mais completa que existiu, tanto dentro como fora de campo. Tínhamos um treinador excelente (Zagallo) e que nos permitia um relacionamento maravilhoso de aprendizagem. Tínhamos a missão de reverter a má imagem deixada em 1966″, revela Zé, que diz se sentir privilegiado por ter jogado com Pelé. “Incrível. O mais interessante era a simplicidade que ele tinha, o comportamento sempre humilde com todos. Fico até sem palavras para expressar tamanha alegria.”

              Logo depois da Copa, o lateral foi contratado pelo Corinthians em uma negociação confusa, porque a Portuguesa não queria liberá-lo. Em novembro de 1970, Zé Maria estreou com a camisa alvinegra em uma derrota para o Grêmio, por 1 a 0. A partir daí sua carreira só cresceu. Ganhou três títulos paulistas como jogador (1977, 1979 e 1982). “Começamos a ganhar vários títulos. Me lembro de um gol que foi muito importante para a história do Corinthians, contra o Internacional, pela Libertadores da América. Foi o primeiro gol do Corinthians em uma Libertadores”, relembra. As boas atuações levaram a mais uma convocação, desta vez para a Copa do Mundo de 1974, na qual foi titular. O Brasil foi eliminado na segunda fase e Zé Maria voltou para o Corinthians.

            Convocado mais uma vez, para a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, Zé Maria foi cortado por uma contusão. Durante este período, teve seu nome mais uma vez carimbado na história do Corinthians por fazer parte da chamada Democracia Corintiana, com Wladimir, Sócrates, Casagrande e outros craques. Em 1983, os próprios jogadores pediram para que ele se tornasse treinador da equipe. Assumiu o cargo e conquistou o título paulista daquele ano, o quarto em sua carreira e o primeiro como técnico. Encerrou a carreira em 1983 para ficar na história do clube.

             Entre os elencos que marcaram época no Corinthians, ele relembra alguns anos em que o Corinthians teve grandes jogadores mas não conquistou nenhum título. “O time de 1974 era maravilhoso. Tínhamos um grande entrosamento e jogávamos um futebol bonito de se ver. No entanto, perdemos a final do Campeonato Paulista para o Palmeiras. Faz parte do futebol, essas coisas. Em 1978 nosso time era muito forte também e não ganhamos nada”, lembra.

             Zé Maria está otimista com relação ao time do Corinthians que voltará à Libertadores em 2010. “Estão fazendo um trabalho excelente. Tem tudo para conquistar o título desta vez. O Ronaldo é uma referência para o time. Se ele melhorar as condições físicas só vai aumentar o seu potencial”, diz. E finaliza: “O Corinthians é o maior time do mundo.”

Matéria editada no site da Federação Paulista de Futebol http://www.futebolpaulista.com.br/info_texto.php?cod=33364

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11 Comentários em “Zé Maria, um ídolo que a fiel torcida não esquece”

  1. thiago Diz:

    Jogou muito
    Super Zé

    òtima materia

  2. Felippe Diz:

    Por que perdi esse tempo de ídolos?

    Parabéns pela entrevista!

  3. Luizinho Diz:

    Obrigado por tudo, Zé!

    Você é, sem dúvida alguma, um dos maiores ídolos do Corinthians!

  4. Guilherme Diz:

    Parabens pela estrevista Don,esta otima.

  5. [SCCP] Marcos Diz:

    Super Zé
    Gostei muito dessa materia, voce esta de parabens, não sabia que ele foi o primeiro jogador a marcar um gol na libertadores pelo corinthians xD

  6. Luizinho Diz:

    Eu encho o peito pra dizer que o Zé Maria, campeão do Mundo, jogou no Coringão.

  7. Jefferson Diz:

    Excelente reportagem, parabéns!!!
    Vai CORINTHIANS!!!

  8. Du Diz:

    Nossa! haha
    Muito bom!

    Numa época em meio a tantos craques, Zé Maria eternizou seu nome na história do maior time de futebol do mundo. Muito legal os pontos curiosos, como o primeiro gol em Libertadores e o fato do ídolo ter se consagrado campeão como jogador e técnico.

    O texto tá muito bom! Vale a pena ressaltar! hehe


  9. [...] e Batalhas. O Professor José Teixeira, o jornalista e escritor André Martinez e os ex-atletas Zé Maria e Tião falarão sobre os ídolos e glórias do [...]


  10. [...] Zé Maria, um ídolo que a fiel torcida não esquece [...]

  11. cristina Diz:

    por acaso alguem já ouviu falar de um jogador chamado lucio sciolla junior


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