”O texto abaixo foi escrito para o site da Federação Paulista de Futebol. Entrevistei o Marcelinho Carioca na loja “Todo Poderoso Timão” do Shopping Metrô Santa Cruz, no dia 1° de dezembro, em uma noite de autógrafos. Ele falou sobre Libertadores, seu jogo inesquecível, Ronaldo e claro, Corinthians”.
A torcida do Corinthians não esquece dele. E não é para menos, em oito anos vestindo a camisa do clube marcou 206 gols em 427 jogos, incluindo alguns tentos inesquecíveis, como o da final da Copa do Brasil de 1995, contra o Grêmio no Estádio Olímpico e o histórico gol de placa marcado contra o Santos, na Vila Belmiro, quando passou a bola por cima do zagueiro Ronaldo Marconatto e chutou de primeira no canto direito do goleiro santista, que lhe rendeu até uma placa do rei Pelé. Marcelo Pereira Surcin, conhecido como Marcelinho Carioca, é reverenciado até hoje pela torcida corintiana como um dos maiores ídolos da história do time.
Com uma carreira feita de altos e baixos, Marcelinho nunca escondeu seu amor pelo Corinthians. Já afirmou que a camisa do clube é a sua segunda pele e em todas as partidas que joga contra a equipe paulista, acaba indo para os braços da torcida. Apesar de tamanha identificação, o meio-campista admite que na infância não era corintiano. “Quando eu era criança não torcia para o Corinthians. Quando vim jogar em São Paulo assumi essa responsabilidade, principalmente pela forma como me trataram aqui e pelo carinho da torcida. A torcida corintiana é a grande responsável pela identificação tão grande que tive com o Corinthians”. Torcida esta que viu o jogador ter seu nome vinculado a alguns dos maiores títulos da história do clube, como os Campeonatos Brasileiros de 1998 e 1999, a Copa do Brasil de 1995 e o inédito Campeonato Mundial da FIFA, em 2000, que para Marcelinho, foi o maior título que conquistou em sua carreira. “A Copa do Brasil de 1995 teve um sabor especial, com aquele gol na final no Olímpico e por ser o primeiro título da Copa do Brasil do Corinthians, mas ganhar o Mundial foi maravilhoso, inesquecível. Com certeza foi o maior título da minha carreira de jogador de futebol”.
Marcelinho Carioca chegou ao Corinthians em 1994, do Flamengo/RJ, onde havia sido campeão brasileiro dois anos antes. Ficou no clube até 1997 quando foi vendido ao Valência (ESP). Sem conseguir se adaptar ao futebol espanhol e na reserva do time, Marcelinho teve seu passe comprado pela Federação Paulista de Futebol, onde foi criado um telefone para a torcida escolher em qual equipe o jogador disputaria o Campeonato Paulista daquele mesmo ano. Com 60,7% de votações, a torcida corintiana colocou Marcelinho novamente no Corinthians. De 1997 até 2001, o meio-campista se consagrou com a camisa 7 do clube. Conquistou quatro títulos paulistas, dois campeonatos brasileiros e um mundial de clubes. “Em 1997 foi muito bom o retorno ao clube nos braços da fiel torcida, mas acho que me tornei um ídolo mesmo em 1995, depois do título da Copa do Brasil. O Corinthians não havia ganhado aquele campeonato ainda e a torcida cobrava de nós um título de maior expressão. Até as circunstâncias foram bem ao estilo corintiano. Aquele jogo contra o Grêmio colocou definitivamente meu nome na história do clube”.
Em 2001, Marcelinho deixou o time após uma briga com o companheiro de clube Ricardinho. Voltou ao Corinthians em 2006, depois de defender o Santos, Vasco e diversos clubes do futebol brasileiro e mundial e até de anunciar a aposentadoria. Jogou poucas partidas e após outra briga, desta vez com o volante Mascherano, deixou novamente a equipe para trabalhar na televisão. “Eu já estava trabalhando como comentarista e recebi uma proposta para jogar no Santo André. Era um projeto sério, forte, que tinha como missão colocar o time em posição de destaque, e eu aceitei prontamente. É um clube bastante estruturado e que tem uma forma de administração moderna, por ser uma empresa também”, analisa Marcelinho, que atualmente é um dos grandes do Santo André no Campeonato Brasileiro.
Entre tantas partidas, algumas são especiais para o ídolo. “O jogo mais marcante que joguei pelo Corinthians foi contra o Vasco, no Maracanã, na final do Mundial [de Clubes de 2000]. Mas tem outras duas partidas que eu nunca me esqueço: o meu primeiro gol contra o Palmeiras, no Pacaembú, onde eu acertei um chute de longe e marquei um golaço e aquele jogo contra o Santos, que eu dei um chapéu no zagueiro e bati de primeira”, relembra. Mas nem só de momentos alegres viveu Marcelinho no Corinthians. Carrega consigo alguns dramas, como a derrota para o Palmeiras na Libertadores 1999, quando perdeu o pênalti que daria a classificação ao time corintiano para a final da competição continental. “É um momento marcante também, onde não fui feliz. Acho que vou carregar isso comigo sempre também”.
Atualmente no Santo André, Marcelinho afirma que está conversando com a diretoria do Corinthians para a realização de uma partida no Pacaembú, onde se despedirá do futebol. “Ano que vem vou me despedir em grande estilo, com a camisa do Corinthians e jogando para a torcida. Estou conversando com o clube e até agora está tudo caminhando para isso acontecer mesmo”, afirma empolgado. Se não conseguiu conquistar a Libertadores, maior obcessão do clube e da torcida, Marcelinho acredita que o time atual tem grande chance de levantar a taça internacional. “Estão montando um time forte e é isso que tem que ser feito. O Ronaldo foi uma contratação sensacional, tanto dentro como fora de campo e tenho certeza que ele vai levar essa equipe ao título da Libertadores”. Mas apesar dos elogios ao elenco de 2009, outra formação é considerada a melhor para o meio-campista. “Por todos os títulos, a maneira como jogava, a força que tinha e a união que havia entre os jogadores, acho que o elenco de 2000 foi o melhor de todos os tempos do Corinthians. E eu me sinto muito feliz por ter feito parte dele”, comenta.
Nesta semana, o ex-camisa 7 do clube levou 200 torcedores ao lançamento de uma loja do time em um shopping de São Paulo. Muitos pediam o retorno do ídolo para a disputa do torneio internacional em 2010, mas ele mesmo tratou de desiludir os torcedores. “Não vou jogar mais no Corinthians. Vou disputar o Campeonato Paulista pelo Santo André, depois pretendo fazer meu jogo de despedida no Pacaembú e encerrar a carreira”, finaliza Marcelinho, que traz saudades até hoje à torcida corintiana.
Matéria editada no site da Federação Paulista de Futebol: http://www.futebolpaulista.com.br/info_texto.php?cod=32910





No meio de uma avenida humana, um poeta relata seus fins de dia em um papel amassado. Nesta mesma hora a dois anos atrás, estava dentro de um ônibus voador trocando confidências com um menino de nariz achatado, que era gago de nascença. Planejavam futuros espetaculares onde viajariam pelo país tocando seus instrumentos de notas quentes e conhecendo novos baianos. Tardes agradáveis de sonhos adolescentes que se tornaram apenas frases de biografia. O gago entrou no exército, casou e teve um filho gago. Cabe um verso como lembrança do companheiro, mas percebe que houveram muitos deles, e apenas pequenos versos não contariam as histórias completas. Observa as crianças espirrarem inocência naquelas ruas, e a própria infância passa em sua frente. Seis da tarde com os pés descalços, a camiseta suja de barro e a bola embaixo do braço correndo do síndico que ousara xingar com graça, ou os fins de noite em que ficava sentado mantendo diálogos pobres e analfabetos com os meninos da rua, que desde cedo já imaginavam mulheres nuas e cigarros gigantes, e quando o ponteiro saía do número seis era hora de voltar pra casa com medo da mãe, que já esperava com a cinta na porta.
ias íamos juntos ao nosso trajeto proletário, conversando sobre política, economia, literatura russa, mulheres de nossas vidas, crônicas quaisquer e outras inutilidades que os humanos criam. E aquela espera se tornou algo necessário no cotidiano dos dois. Eu esperava por Pedro para ir embora, ele me esperava para o almoço no refeitório da multidão, nós esperávamos pelo horário da libertação onde contaríamos sobre os anseios passageiros de mais um dia.
Dois dias depois se decepcionou. A inocência caiu junto com as poucas vestes e o ser humano se tornou mortal através das palavras de uma serpente mecânica. Depois vieram assassinatos, prostituição e outros crimes carnais que nem um dilúvio de quarenta dias conseguiu interromper. Deus assistia a tudo com desaprovação, e aquele galpão chamado mundo continuava rodando sem maiores pretensões. Enviou seu filho para aquele ambiente, afim de que todas as petições chegassem diretamente a ele, mas o viu crucificado em um dia que o sol se escondeu. E desde então, chora lágrimas ácidas que caem como chuva em nossas cabeças.
ruas do bairro que não conheci, de uma tempestade que não havia previsto na meteorologia do nosso mundo e que até agora procuro entender, mesmo sabendo que também não há o que entender. Fiquei recolhendo do chão as promessas feitas embaixo dos postes, tentando controlar as dez mil cenas que passam diariamente na minha cabeça das coisas que passamos e que, de tão perfeitas, formam um filme de tempo inestimável. Fiquei guardando as memórias, as cartas, os bilhetes de cinema, os poemas sem métrica, as mensagens eletrônicas, as fotos noturnas, a roupa que usei no dia do primeiro beijo e outras tantas pequenas coisas que mobiliavam a nossa história.